terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

O que está havendo com o povo?

Ha seis meses não escrevo. A verdade é que não dou conta de acompanhar a quantidade de coisas que acontecem diariamente.
Desde que comecei a trabalhar no SAMU minha cabeça não para.
Considero que sou de uma classe de educados media/alta, ou seja, embora não tivessem posses meus pais, assim como os pais da época em que eles tiveram filhos, investiam cada centavo na educação.
Aprendemos a respeitar os outros, a admirar as pessoas que trabalham e mais ainda quem trabalha pelo bem do próximo.
Quase todas as pessoas com quem a gente conversa dizem: "é o fim dos tempos, o fim do mundo etc" mas pare e analise as coisas.
Só sei raciocinar por analogia então vamos aos exemplos.
Cresci pobre, ....remediado digamos, aos 19 anos emancipada entrei para a VARIG e foram 5 anos de purpurina (felizmente não era e não sou promíscua e escapei do HIV).
Aos 25 tive um filho, aos 32 entrei para a AVON e foram mais purpurinas. Todos trabalhos duros, exigentes física e socialmente.
Aposentada vim para Limeira e prestei concurso para o serviço social da prefeitura. Em tres anos desisti por alguns "etcéteras" que incompatibilizam Workalcoholic com funcionalismo público.
Passados alguns anos prestei o concurso do SAMU e aí começa a coisa.
Por alguma razão, que vou tentar entender escrevendo aqui, fui parar no topo do altruísmo.
Um trabalhador de APH (atendimento pré hospitalar) deve ser doente da cabeça. Ganha mal, arrisca a saúde e as vezes até a vida para salvar os outros.

Lindo isso não é? Pois agora vou te abrir a porta, vem olhar de dentro pra fora.
Você (no caso eu que sou TARM) atende ao telefone, é uma ocorrência e começa a perguntar o básico. O nome de quem está solicitando o serviço, o numero do telefone (na hora do nervoso mais de 80% das pessoas dá o endereço errado) para poder voltar a ligar quando a ambulância não encontrar o endereço, ah sim, quem precisa de ajuda, a idade (é criança? idoso? que tipo de vítima é?)
E o que a pessoa está sentindo.

Aí começa: Precisa perguntar tanto? Vai esparar morrer pra mandar essa m*? Eu não sei o que ela tem, não sou médico. se eu fosse médico não precisava chamar essa bos*, vem logo....
Veja bem, a besta perdeu preciosos 5 ou 10 minutos berrando e esbravejando sendo que isso não ajuda em nada.

A ambulância sai e 3 minutos depois o telefone toca:- "faz meia hora que chamei essa merda".
Analisemos: Eu quem? O SAMU está lá apenas para atender a você e a sua necessidade? Se você disse eu chamei, tenho a obrigação de saber quem está falando?
A gravidade do caso é inversamente proporcional aos berros do solicitante, quanto mais ele grita, mais leve é a necessidade.

Nesse meio tempo, enquanto você grita sem eu saber quem é, algumas crianças SEM NENHUMA NOÇÃO de educação sairam para o recreio na escola e estão a se servir do orelhão para chamar  192 (é gratis). Dizem palavrões e obscenidades que só aprendi depois de adulta, gratuitamente.

E alguem precisa realmente de ajuda, uma parada cardíaca, por exemplo e o telefone encontra-se ocupado com gente sem educação.

Eu poderia pedir exoneração, já tenho a minha aposentadoria, meu marido me sustenta....só que eu quero trabalhar nisso. Descobri minha vocação, mas o preço é alto demais.
O que está acontecendo com as pessoas?
Cadê a educação das crianças e dos adultos?
O que é preciso fazer....
Talvez das menos dinheiro sem esforço e mais educação.
Sei lá....
Ainda bem que estou de férias. Vou precisar ruminar isso e decidir até dia 24 de Fevereiro se vale a pena empreender esforço para ajudar quem só quer levar vantagem.