quarta-feira, 28 de março de 2012

" Eu vos escolherei, um entre mil, e dois entre dez mil. E eles aparecerão como um só

Comentário:
O homem-sensorial é pluralista.
O homem-mental é dualista.
O homem espiritual é unista ou monista.
Pelos sentidos o homem percebe o Universo como uma imensa diversidade sem a menos unidade.
Pela inteligência, o homem analisa o Universo como uma dualidade entre causa e efeito.
Pela razão espiritual o homem intui o Universo como uma Essência Una e única que se manifesta em existências múltiplas.
O homem-univérsico, o homem da cosmovisão, existe e sempre existiu sobre a face da terra, mas é ainda uma pequena elite; a grande massa é ainda pluralista ou dualista. O homem monista é apenas um entre mil, ou dois entre dez mil.
Essa visão monista começa, quase sempre, como monismo unitário, como uma visão do Uno no Uno, como uma experiência mística da Essência Única da Divindade Divina, da Realidade solitária.
Pouco a pouco, o monismo unitário se expande num monismo diversitário, como Realidade Univérsica, como o Deus do mundo no mundo de Deus. O misticismo unilateral se desdobra em mística onilateral; a consciência mística desabrocha em consciência cósmica.
O homem de consciência cósmica vê Deus no mineral, no vegetal, no animal, no hominal. Vê a única essência transcendental como existência imanente, inconsciente no mineral, subconsciente no vegetal, semiconsciente no animal, ego-consciente no homem intelectual - e pleniconsciente no homem reacional.
Essa longuíssima jornada ascensional do ser humano tem o seu início aqui  no jardim de infância do planeta terra; mas continuará, por milhares de anos, séculos e milênios, através das muitas estâncias que há na casa do Pai celeste, neste Universo de incomensurável grandeza e amplitude.
Quanto mais o homem progride nessa jornada evolutiva rumo à Essência Una, mais ele se une aos outros companheiros de jornada, até finalmente se tornar UNO com os outros.
Se Sócrates, Platão e Jesus (escreve Santo Agostinho), se tivessem encontrado, teriam harmonizado admiravelmente em suas idéias..
Uma só é a verdade, muitos são os caminhos que conduzem à Verdade. Um viajor que vem do norte parece ser contrário ao que vem do sul; um viajor que vem do leste parece ser adversário de outro que vem do oeste. Entretanto, todos são unidos quando vistos do centro, embora pareçam desunidos e contrários quando contemplados da periferia.
" Creio na Comunhão dos Santos" diz um dos artigos do Credo Apostólico. A comunhão dos santos é a convergência dos viajores rumo à Verdade única; é a complementariedade de todos os pólos aparentemente contrários.
A divergência é da massa - a convergência é da elite.
A discórdia é dos muitos - a concórdia é dos poucos.
Hoje em dia está crescendo notavelmente a elite e diminuindo a massa. Cada vez maior é a fome da religião - e cada vez maior é o fastio das religiões.
Quanto mais o homem se aproxima de Deus, tanto mais o homem se aproxima dos outros homens.