terça-feira, 17 de janeiro de 2012

De ONGs e SAMU

Quem tem a chance de conviver com alguma pessoa ligada a Organizações não governamentais deve saber que o raciocínio deles tem outra lógica que não é a das pessoas comuns.
Meu irmão é Secretário Executivo da Mongue-Proteção ao Sistema Costeiro, destinada a proteger o entorno, a população, fauna e flora da Mata Atlântica (nem sei bem se é assim que se explica o trabalho deles) e você pode tirar suas dúvidas visitando o site http://www.mongue.org.br".

Mas o assunto aqui é outro, fui questionada por ele quando postei uma comemoração por termos, no SAMU de Limeira, completado 5.000 ocorrências em 107 dias. Ele me perguntou por que estava comemorando estes números "assustadores" ao invés de usar este fato para chamar a atenção de quem bebe e dirige, mistura Rivotril com cerveja, espanca, dá tiro e etc.

Admito que é uma forma válida de ver as coisas e resolvi usar este espaço para expor o meu ponto de vista. Antes da "era Padilha" (atual Ministro da Saúde), atuavam na cidade, o resgate do Corpo de Bombeiros, a Guarda Municipal, a Policia Militar e, nas estradas que cortam a cidade, as respectivas administradoras.

Wikipédia diz sobre Limeira: "Sua população registrada no Censo de 2010 é de 276.010 habitantes". "A rede de saúde conta com cinco hospitais. Duas unidades são filantrópicas e recebem auxílio do poder público: Santa Casa de Misericórdia Sociedade Operária Humanitária.
Os três outros hospitais são particulares: Hospital Unimed Hospital Medical Hospital Dia (antigo hospital filantrópico Beneficência Limeirense, que foi fechado e encampado pela Santa Casa)."

Pode-se dizer que, no mínimo 5.000 pessoas deixavam de ser atendidas a cada 100 dias. Não por incompetência deles, que fique bem claro, mas por falta de recurso. O trabalho do SAMU é um espetáculo,
o conceito do atendimento merece ser conhecido e até mesmo estudado porque cada cidadão pode ajudar a melhorar mais ainda o atendimento na sua cidade. Uma das coisas básicas, " cólica menstrual não é caso de ambulância" muito menos de urgência. Existem medicamentos (vendidos até mesmo sem receita médica) para este fim. Tirar uma ambulância da base, uma UTI móvel (como acontece várias vezes) mentindo sintomas apenas porque está sem crédito no celular ou sem dinheiro para taxi não ajuda em nada e pode ocasionar que um paciente grave demore mais para ser atendido.

O que eu comemoro? Nossa cidade é mais uma das servidas pelo SAMU, mas o decreto, o investimento, o concurso público, as contratações sozinhos não servem para nada.

A qualidade dos seres humanos que formam a rede, o comprometimento deles com um serviço duro e desgastante é fundamental. Comemoro o fato de que com menos de 4 meses para construir, montar, organizar e inaugurar a equipe do
Dr Agnaldo Píspico fez desta necessidade premente uma realidade invejável. A atual média de tempo entre atender o telefonema e sair a ambulância na emergência está entre 2 e 3 minutos e melhorando.

Agora falta conseguir o apoio da população para termos um serviço de excelência sem perda de tempo.